Tombamento do Núcleo Histórico do Povoado Vitoriano Veloso (Bichinho), Prados/MG

Tombamento do Núcleo Histórico do Povoado Vitoriano Veloso (Bichinho), Prados/MG

O núcleo histórico urbano de Vitoriano Veloso, também conhecido por Bichinho, situado no município de Prados/MG, teve origem nas primeiras décadas do século XVIII, como decorrência do assentamento de bandeirantes e outros mineradores interessados na exploração do ouro. Possui traços de arquitetura colonial, de forma vestigial e fragmentária, uma vez que o patrimônio edificado vivenciou um processo de transformação ao longo dos anos e sua fisionomia recebeu as marcas dos séculos XIX e XX. A Igreja Nossa Senhora da Penha de França, por exemplo, exemplifica as construções do século XVIII; o seu acervo possui valor cultural e histórico, expressão típica do rococó mineiro.

A consolidação do ambiente natural e edificado sugere a variedade dos modos de construir e de viver existentes em Bichinho. Trata-se de um casario e de uma rede comunitária que evidenciam os processos de ruralização do século XIX, quando o auge do ouro terminou e as atividades de pecuária e agricultura se sobressaíram. Intervenções descaracterizantes são observadas, com início da alteração da imagem urbana. São necessárias medidas corretivas e preventivas a fim de preservar o núcleo e a integridade ambiental do local. O dossiê elaborado em 2010 pela equipe técnica especializada do Grupo Memória Arquitetura, em contrato firmado com a Prefeitura Municipal de Prados/MG, teve como objetivo oferecer respaldo para o tombamento municipal do Núcleo Histórico Urbano, visando, através da proteção de seu acervo urbanístico, conceder um reconhecimento destacado para essa ambiência.

O trabalho teve início com o levantamento de fontes bibliográficas, gerais e específicas, disponíveis sobre o município. Foram levantadas as informações existentes no Escritório Técnico do IPHAN, em Tiradentes, e na 13ª Superintendência Regional do IPHAN, em Belo Horizonte, em decorrência do tombamento federal da Igreja Nossa Senhora da Penha de França. Em seguida, partiu-se para a pesquisa em campo, realizada pela equipe da Prefeitura Municipal e por profissionais das áreas de arquitetura e história, contando ainda com a colaboração da população.

Foram estudadas as características arquitetônicas, tipológicas, paisagísticas e urbanísticas do local e a coletadas informações históricas, documentação fotográfica e cartográfica. Após análise dos dados coletados e de bibliografia especializada, foram definidos os limites do centro histórico, buscando uma delimitação que abrangesse os trechos onde houve maior preservação da ambiência do conjunto, sobretudo nos locais mais próximos à Igreja Nossa Senhora da Penha de França. Os limites propostos para a área tombada buscaram, além de valores individuais e ornamentais das edificações, a importância desses exemplares na formação de um conjunto que representa um modo de viver e de agir, presentes no imaginário coletivo. E como modo de criar parâmetros para a regulamentação do espaço urbano e a gestão dos bens inseridos no Núcleo Histórico Urbano de Bichinho, cada uma das estruturas arquitetônicas foi particularizada a partir de quatro diferentes níveis de proteção, submetidos a diretrizes específicas de preservação.