Tombamento do Conjunto Ferroviário Urbano de Itanhandu/MG

Tombamento do Conjunto Ferroviário Urbano de Itanhandu/MG

O Conjunto Ferroviário Urbano de Itanhandu, cidade situada aos pés da Serra da Mantiqueira com pouco mais de 15 mil habitantes, simboliza no imaginário de seus cidadãos um momento de grande importância histórica e cultural da localidade, representando um período áureo de desenvolvimento econômico e expansão urbana. Seu tombamento demonstra o reconhecimento municipal de sua função identitária e garante sua salvaguarda por várias gerações. O dossiê elaborado pela empresa Memória Arquitetura em 2007, contrato firmado com a Prefeitura Municipal de Itanhandu, representa a síntese de estudos e pesquisas que envolvem aspectos históricos, construtivos, relatos orais, levantamentos em campo, dentre outros, cujo objetivo é registrar a origem e evolução dos elementos integrantes do conjunto ao longo dos anos.

A inauguração da ‘Estação de Capivary’ – como antes se chamava a Estação Ferroviária de Itanhandu – ocorreu em 14 de junho de 1884. Porém, o atual prédio da Estação foi erigido em 1943, em função de um incêndio que consumiu o primeiro imóvel no ano de 1935. Faz parte do conjunto o Pontilhão de Ferro que passa sobre o rio Passa Quatro, erigido no contexto da primeira onda de expansão do sistema ferroviário no Brasil, durante o reinado de D. Pedro II – processo esse financiado e executado, fundamentalmente, com capitais e mão-de-obra ingleses. Hoje, os trilhos do pontilhão estão aterrados, dado que a ponte está sendo usada como via de carros e pedestres.

Outra estrutura, elemento mais recente, também faz parte do conjunto tombado – a passarela/viaduto para pedestres sobre os trilhos em frente à Estação Ferroviária. Erguida em 1929, a passarela visava dinamizar a circulação e a comunicação no entorno da Estação, pois a modernização chegava, e junto dela a velocidade e a eficiência eram palavras de ordem que geravam mudanças no tecido urbano das cidades em crescimento.

Atualmente, o espaço do conjunto da ferrovia perdeu seu dinamismo dos tempos áureos, principalmente em função da mudança do eixo econômico do município e a falência do sistema ferroviário à partir da década de 1960. Mesmo assim, o Largo da Estação consistiu no berço da cidade de Itanhandu, sendo responsável pelo estabelecimento de várias famílias de proprietários e trabalhadores, entre velhos e novas casas e casarões. E a Estação abriga hoje artesãos da cidade, fomentando a nova vocação do município para o desenvolvimento turístico.