Tombamento da Praça Oswaldo Costa, Paraguaçu/MG

Tombamento da Praça Oswaldo Costa, Paraguaçu/MG

A arte de cultivar jardins é bastante antiga, mas somente no período Renascentista (meados do século XV) esta atividade ganhou projeção nos países europeus, principalmente na Itália, França e Inglaterra. A função dos jardins nesta época era garantir o deleite espiritual e físico da nobreza e do alto-clero, sendo a eles restrita a entrada e permanência nesses espaços, ou seja, era um privilégio das altas castas sociais usufruir das áreas verdes planejadas. Os jardins sofreram inspirações diferenciadas em vários países e podem ser descritos segundo seus estilos: clássico (anterior ao século XV), barroco, paisagístico, exibicionista, pitoresco e murado (a partir do século XV), romântico e anglo-chinês (a partir do século XVI), metódico (entre os séculos XVI e XVIII), rococó (entre os séculos XVII e XIX), sentimental (principalmente nos séculos XVIII e XX), estilos mistos (entre os séculos XV e XVIII e depois do século XIX), contemporâneo (já no início do século XX em diante) (VEIGA, R. F.A. et. Al, 2002).

No Brasil, a formação dos primeiros espaços públicos ocorreu nos adros das Igrejas das cidades coloniais, que posteriormente viria a formar as praças. No período colonial, as praças tinham como característica dominante a presença de uma igreja, edifícios administrativos e sedes de governo da cidade. “Os largos e praças das cidades coloniais brasileiras eram espaços polivalentes onde interagiam diversos segmentos da sociedade colonial” (MENDONÇA, 2004). Estes espaços tinham basicamente duas funções: as praças consistiam em áreas públicas urbanas destinadas ao convívio da população, enquanto que os jardins eram destinados à meditação e à contemplação da natureza.

Em fins do século XIX e início do século XX, as intervenções urbanísticas e de embelezamento das cidades, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, apontam preocupações com a salubridade do meio ambiente urbano e surgem novas tipologias de construções, obedecendo às normas ditadas pela legislação que exigia afastamentos em relação aos limites dos lotes. E assim foi também a capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, planejada em fins do século XIX a partir destes modelos de embelezamento e de salubridade, negando as tipologias urbanas coloniais. É de se esperar que outros municípios mineiros tenham partilhado dos ideais europeus de modernização urbana e Paraguaçu não ficou às margens de tais transformações. As praças e o traçado urbano da cidade são exemplos do cenário de modernidade vigentes no país. Apesar das duas praças localizadas no centro histórico da cidade (Praças João Eustáquio da Costa e Oswaldo Costa) trazerem lembranças do período colonial – ambas surgiram a partir do adro de uma igreja – a modernização do desenho é visível na Praça Oswaldo Costa.

A partir de uma iniciativa da PREFEITURA MUNICIPAL DE PARAGUAÇU/MG, com assessoria da equipe técnica do grupo MEMÓRIA ARQUITETURA, foi elaborado em 2008 o dossiê de tombamento da Praça Oswaldo Costa, resultando em uma coletânea de informações históricas, cartográficas, descritivas, iconográficas e fotográficas sobre a praça, atestando-a com um espaço de sociabilidade e de grande importância para o município, justificando a preservação do bem com o devido respaldo legal.