Tombamento da Estação Ferroviária de Mariana/MG

Tombamento da Estação Ferroviária de Mariana/MG

A Estação Ferroviária de Mariana, localizada na região central da cidade, foi inaugurada em 12 de outubro de 1914. O prédio situado às margens do ramal férreo da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil representou as novas possibilidades de crescimento que despontavam na região no início do século XX, após um longo período de decadência das minas auríferas. Até meados da década de 80, era ainda possível observar o trânsito de trens mistos – de cargas e passageiros – até ser completamente liquidada e ter suas funções paralisadas nos anos 90.

O trabalho de pesquisa foi o grande diferencial realizado pelos profissionais da empresa Memória Arquitetura, contratada pela Prefeitura Municipal de Mariana em 2004, para elaboração do Dossiê de Tombamento da Estação Ferroviária de Mariana. O levantamento preliminar bibliográfico consultou fontes das bibliotecas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/FAFICH e do Instituto de Ciências Geográficas/IGC, ambas da UFMG; e do acervo bibliográfico da Rede Ferroviária Federal S. A., o qual se encontra na cidade do Rio de Janeiro. Os jornais impressos consultados encontram-se na Hemeroteca Pública do Estado de Minas Gerais e no Arquivo Eclesiástico da Cúria da Cidade de Mariana. Já a maioria da documentação oficial foi inventariada na Divisão de Consultas do Arquivo Nacional (RJ), além de existir alguns fragmentos sumarizados do “arquivo-morto” da RFFSA, situados em um anexo da estação ferroviária da capital mineira. Já os levantamentos de campo incluíram informações tipológicas, paisagísticas, urbanísticas, arquitetônicas, fotográficas, históricas, iconográficas e geográficas, além de entrevistas com os moradores da localidade investigada.

É interessante notar que a edificação aponta características do ecletismo, como ornamentação dos frontões e torre do relógio, marcação das aberturas e uso de pilastras criando efeitos de luz e sombra. A simetria das fachadas laterais é rigorosa, porém nas fachadas frontal e posterior é quebrada pela diferença do tamanho das aberturas, mantendo-se o ritmo. Em planta, há uma simetria na distribuição dos ambientes contíguos ao hall principal.

Depois de mais de duas décadas em estado de abandono, entre 2004 e 2006, a Vale revitalizou a antiga ferrovia construída em 1883, com 18 quilômetros de extensão, entre as cidades de Ouro Preto e Mariana, e também foi responsável pela restauração de outras três estações do percurso – Ouro Preto, Vitorino Dias e Passagem de Mariana. Os vagões e a locomotiva foram artesanalmente reformados, conservando suas características originais. Atualmente, a Estação de Mariana transformou-se em um complexo composto pela Praça Lúdico-Musical, pela Biblioteca da Estação, Espaço Museográfico, pelo antigo casarão que abrigava a estação ferroviária de Mariana e por vagões fixos localizados nos arredores do prédio, além de embarque e desembarque para turistas que curtem o passeio de Maria Fumaça até Ouro Preto.