Restauração do Oratório, Paraguaçu/MG

Restauração do Oratório, Paraguaçu/MG

Os oratórios são armários com nichos para expor imagens de santos, de modo que sejam alvos de devoção religiosa. Comuns no Brasil desde o período colonial, eram geralmente encontrados em fazendas e casas rurais, distantes das igrejas e das pequenas ermidas. Os oratórios eram muitas vezes uma substituição para as capelas. Em algumas regiões do país, como o nordeste, podia-se encontrar de maiores dimensões, usualmente localizados no cômodo dos santos, um quarto que era destinado à guarda de imagens, comum nas residências mais abastadas.

Nesse sentido, o oratório seria uma representação do interior de uma igreja, tentativa de reproduzir em sua feitura a mesma cosmologia religiosa que orientava a construção dos templos. Os oratórios são uma das muitas formas de expressão de uma religiosidade que mesclou elementos simbólicos e afetivos de grupos hegemônicos e subalternos. Essa modalidade de devoção resistiu ao tempo, embora os oratórios tenham se tornado mais simples, com a perda da influência opulenta do barroco. Assim, predominaram outras formas de se relacionar com o mundo do sagrado. Os oratórios permitiram que, mesmo em lugares distantes, as pessoas se sentissem assistidas pelos santos e Deus.

O Oratório em questão foi construído nas duas últimas décadas do século XIX e pertencia ao acervo da Fazenda São José, situada na zona rural do município de Paraguaçu/MG. Por muitos anos foi utilizado para rezas semanais de familiares e pela própria comunidade rural adjacente, de onde pode ser destacado seu valor simbólico de religiosidade e ritualidade para os utentes, além, sem dúvida, de seu valor artístico. Em 1978, foi doado ao Museu Alferes Belisário, enriquecendo ainda mais o já significativo acervo existente. A imagem de São José presente no interior do oratório não é objeto de tombamento, pois trata-se de uma réplica da antiga imagem desaparecida.

O Dossiê de Tombamento do Oratório foi realizado em 2006, pela equipe do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Paraguaçu, funcionários do Museu Alferes Belisário e por profissionais das áreas de arquitetura e história da empresa Memória Arquitetura, e contou ainda com a colaboração da população paraguaçuense, afim de resgatar sua história e importância para o município. No entanto, mesmo sob tutela especial de proteção, o oratório atingiu um estado precário de conservação. As patologias mais significativas se referiam às perdas na madeira provocadas pelo ataque de insetos xilófagos, e desgaste e descolamento na camada pictórica, além da presença de repintura descaracterizante.

O processo de restauração, também realizado pela equipe especializada da empresa Memória Arquitetura em 2012, envolveu várias etapas como higienização; prospecções mecânicas; remoção das camadas de repinturas; detecção de áreas infestadas por térmitas (cupins); desinfestação e imunização preventiva contra insetos xilófagos; consolidação do suporte com taliscas de cedro previamente tratado; limpeza e fixação das camadas originais de policromia e douramento; emassamento e nivelamento das lacunas de superfície; recomposição do folheado a ouro através de técnica à água com folhas de ouro 23 quilates no rendilhado e no frontão; reintegração das cores; e aplicação de verniz de proteção.