Plano Preliminar de Preservação da Paisagem Cultural

Plano Preliminar de Preservação da Paisagem Cultural

PLANO PRELIMINAR DE PRESERVAÇÃO DA PAISAGEM CULTURAL DA FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO “O desenvolvimento é uma viagem com mais náufragos do que navegantes” (Galeano, 2008) Trabalho realizado pela empresa Memória Arquitetura durante o primeiro semestre de 2014, em atendimento ao processo licitatório de responsabilidade do IPHAN, que teve como objetivo principal gerar subsídios para elaboração de dossiê com vistas ao estabelecimento da CHANCELA DA PAISAGEM CULTURAL DA FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO. “Paisagem Cultural Brasileira é uma porção peculiar do território nacional, representativa do processo de interação do homem com o meio natural, à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores” (Portaria IPHAN nº 127/09). A peculiaridade do território da foz do rio São Francisco o torna representativo de um processo diferenciado de interação do homem com o meio natural. O encontro entre rio e mar, água doce e água salgada, é aspecto que atribui excepcionalidade à região da foz e que impactou, e ainda impacta, profundamente a vida das populações e suas formas de construir e reconstruir a paisagem. Os trabalhos de campo realizados tiveram como foco principal a compreensão do universo social e cultural da área de estudo, sua contextualização dentro do Baixo São Francisco, além da identificação de bens culturais relacionados às paisagens da Foz do Rio São Francisco. Com objetivo de compreender outras questões sobre as apropriações desta paisagem, foram realizadas entrevistas junto a integrantes de variados segmentos, onde se buscou aferir o sentimento de pertencimento e de reconhecimento dos atores locais com relação às paisagens. Já a análise tipológica da paisagem pautou-se na metodologia proposta por Fernanda Rennó (2009) que busca entender e revelar da maneira mais fidedigna possível as paisagens identificadas, na interface natureza-sociedade que autoriza a classificação dos objetos observados na direção de um reconhecimento impregnado da influência do homem na natureza e vice versa. Isto é, uma representação de como essas paisagens se apresentam e se organizam a partir de critérios de domesticação das paisagens (RENNÓ, 2009)*. E a partir dos atributos elencados na área de estudo como relevantes na valorização da paisagem cultural da Foz, vinculados a uma gama de fatores de risco cuja incidência repercute negativamente na manutenção e/ou na preservação de determinado atributo, foram elencadas medidas de salvaguarda e valorização, em escala de prioridade, que afastem ou minimizem eventuais riscos e ameaças detectados. O relatório final apresenta ainda um rol não exaustivo de potenciais parceiros na celebração de um futuro Pacto de Gestão, instrumento este previsto pela Chancela da Paisagem Cultural Brasileira (art. 4º da Portaria 127/2009), visando uma gestão compartilhada de determinada porção territorial brasileira de natureza singular. *RENNO F. Le Sertão Mineiro: Un territoire à la recherche de ses paysages et de ses identités. Thèse de Doctorat, Université de Toulouse II Le Mirail, France. 2009.