Dossiê de Registro do Modo de fazer o Doce Pé de Moleque, Piranguinho/MG

Dossiê de Registro do Modo de fazer o Doce Pé de Moleque, Piranguinho/MG

O doce Pé de Moleque é conhecido em todo o território nacional por sua saborosa receita à base de amendoim. O quitute é vendido em padarias, confeitarias e supermercados, mas é comumente associado a festas juninas – quando seu consumo é ampliado. Todavia, no interior de Minas Gerais, o pequeno município de Piranguinho quebrou esse conhecido paradigma: ao longo de sua história, a cidade desenvolveu uma receita própria para o Pé de Moleque, transformando-o em uma iguaria a ser apreciada em qualquer época do ano. A especificidade de seu sabor, a consistência e a aparência do doce, dado o peculiar processo de fabricação, atribui ao Pé de Moleque de Piranguinho um caráter único.

Em 2010, Piranguinho iniciou um amplo trabalho de pesquisa para que o doce fosse oficialmente reconhecido como patrimônio cultural em nível municipal. O trabalho técnico foi realizado pelo grupo Memória Arquitetura, responsável pela elaboração do dossiê que subsidiou o registro do Pé de Moleque como o primeiro patrimônio imaterial do município, na categoria Saberes.

Atualmente, o município se orgulha em ser reconhecido como capital nacional do Pé de Moleque e há 11 anos realiza a “Festa do Maior Pé de Moleque do Mundo”. Em 2016, os produtores do município, em trabalho conjunto, bateram novamente o recorde do maior Pé de Moleque do mundo, chegando a incrível marca de 21 metros de comprimento. E, para os turistas e viajantes que percorrem a rodovia entre Pouso Alegre e Itajubá, já viraram parada obrigatória, as barracas construídas a beira da rodovia. A primeira foi a Barraca Vermelha final dos anos 60, logo depois a Barraca Azul e a partir da década de 1980, novos produtores foram surgindo e vieram as barracas amarela, laranja, verde, marrom… cada um recriando o seu modo de fazer, mas acima de tudo, mantendo essa tradição centenária.