Inventário dos imóveis projetados por Lúcio Costa em Barreirinha/AM

Inventário dos imóveis projetados por Lúcio Costa em Barreirinha/AM

Visando produzir informações necessárias para subsidiar um possível tombamento dos imóveis projetados por Lúcio Costa no município de Barreirinha, no estado do Amazonas, este trabalho foi realizado como forma de verificar sua relevância e viabilidade de proteção. O grupo Memória Arquitetura foi contratado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN/AM em 2014, objetivando elaborar pesquisa documental e bibliográfica, entrevistas, levantamento fotográfico, as built, descrição utilizando-se da metodologia SICG (Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão), e análise de todo o material produzido.

Foram levantados três complexos. O primeiro, e mais antigo, é o Conjunto Porantim do Bom Socorro composto por três edificações: a casa, o torreão e um salão. A casa foi projetada pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa no ano de 1978 (croqui original assinado é parte do acervo pessoal do poeta Thiago de Mello), com construção realizada entre os anos de 1980 e 1983. Assim como a casa, o torreão também é de autoria do arquiteto, e foi pensada no ano de 1987. Onde hoje existe o salão, construção esta de 1992 e sem autor conhecido, existia a Biblioteca Moronguetá, projetada por Lúcio Costa no ano de 1985 e demolida na década de 1990. A segunda edificação é a Casa Paraná do Ramos que, bem isolado, é de autoria de Costa (o croqui original assinado é parte também do acervo particular do poeta), datado de 1987, e com construção entre os anos de 1990 e 1994. Por fim, tem-se o Conjunto Freguesia do Andirá, também com três construções (Casa Flor da Mata, Casa de Livros e Casa Antônio), erguido entre 1989 e 1995, com planta arquitetônica inspirada na Casa Paraná do Ramos.

Todos os imóveis foram erguidos para servir ao poeta amazonense Thiago de Mello, e este fez questão de utilizar a mão de obra local que, como o próprio cita, tinham habilidades natas com a madeira. A madeira utilizada – itaúba preta, sucupira, maçaranduba, e mogno – foram retiradas da floresta Matupiri. O arquiteto indicou que as alvenarias fossem de adobe, favorecendo assim o uso dos materiais locais e de (relativo) fácil acesso. Entretanto, buscando maior permanência e proteção do acervo que possuía, Thiago confeccionou as paredes em tijolo cerâmico furado. O mesmo aconteceu com a cobertura: especificada para ser em sapê, foi realizada em telha cerâmica americana. Todo o material utilizado foi trazido da cidade de Parintins, por meio de inúmeras viagens de barco.

O estilo arquitetônico das moradas é o moderno regional amazônico que, dentro de um modelo internacionalizado, buscou criar características regionais e assim alcançar certa identidade da arquitetura. O arquiteto especificou materiais regionais, estruturas de madeira e soluções que visavam o conforto térmico sabendo da região em que se implantavam, além de se integrarem ao ambiente. Criou então exemplares singulares dessa arquitetura no município, e os únicos de autoria do mesmo na Amazônia.