Inventário do Palácio da Justiça

Inventário do Palácio da Justiça

Os primeiros estudos produzidos por Oscar Niemeyer para a sede do Ministério da Justiça datam de 1961, porém, apenas em 1972, o Ministério finalmente mudou-se para sua sede definitiva em Brasília. O Palácio da Justiça compõe, juntamente com o Palácio do Itamaraty e com o Congresso Nacional, um cenário próprio e amplificado que se abre para a Esplanada dos Ministérios, conformando o grande eixo monumental idealizado por Lucio Costa, elemento estruturador do urbanismo de Brasília. Podemos dizer que a localização do Palácio da Justiça em lado oposto ao Palácio do Itamaraty propõe um diálogo entre essas duas obras. Diálogo este reforçado pela relação visual e plástica estabelecida entre esses dois monumentos, confirmada pela estrutura em arcos das fachadas principais, pelo gabarito, pela volumetria e também pelos jardins e espelhos d’água instalados ao redor dos mesmos. O Ministério da Justiça ostenta quatro fachadas com aparências distintas. A principal apresentou, na sua construção, nove arcos plenos revestidos em mármore branco. Entretanto, o projeto original de Niemeyer se diferia do executado, sendo questionado pelo autor anos depois. No ano de 1985, ocorreu a reforma de modificação da fachada e remoção do revestimento em mármore, estabelecendo, então, os atuais arcos interrompidos, em concreto armado. A partir de tais arcos, estendem-se calhas na forma de conchas, que vertem água sobre o jardim aquático de espécies exóticas, projeto de Roberto Burle Marx. O volume envidraçado que define a área administrativa está recuado da fachada principal e as arcadas descansam em pilares que mergulham nos espelhos d’água. Além dos jardins de Roberto Burle Marx, destaca-se na arquitetura do Palácio da Justiça o grande painel metálico, instalado no Salão Negro, formado por 2090 blocos de aço inoxidável importados da Alemanha, e o forro acústico do Auditório Tancredo Neves, atribuídos à Athos Bulcão. Executado pelo grupo Memória Arquitetura em 2012, o Inventário do PALÁCIO DA JUSTIÇA e seus anexos teve como objetivos principais: a geração de conhecimento mais aprofundado sobre a produção arquitetônica modernista na Capital Federal; a organização do conhecimento sobre a obra arquitetônica de Oscar Niemeyer; a produção de subsídios para ações de salvaguarda; a elaboração de material educativo para a divulgação, promoção e preservação do patrimônio cultural, assim como para ações de educação patrimonial e outras atuações futuras. A partir da abordagem crítica e descritiva do conjunto e da sua ambiência, foi possível preencher as fichas do Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG – DEPAM/IPHAN) e elaborar um relatório conclusivo que incluiu indicações das necessidades urgentes de conservação, manutenção ou restauro; indicação de possibilidades de usos e agenciamentos adequados à capacidade e características das edificações; definição da área de ambiência/entorno e respectiva justificativa, com indicação de critérios e/ou diretrizes de preservação para o conjunto inventariado.