Inventário do Conjunto Arquitetônico da Fazenda São Marcos e da Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller, Boa Vista/RR

Inventário do Conjunto Arquitetônico da Fazenda São Marcos e da Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller, Boa Vista/RR

A Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller é patrimônio cultural tombado pelo governo do Estado de Roraima através do Decreto nº 722/84 da Lei nº 718 de 6 de julho de 2009. A edificação foi construída na década de 40 na Avenida Jaime Brasil. É possível perceber que se trata de uma edificação de telhado colonial de esquadrias dispostas de forma ritmada, mas com alguns elementos já característicos do estilo Art Déco, como as profusões de linhas retas geométricas utilizadas nos requadros de todas as aberturas (streamline), o jogo de volumes obtido em sua fachada, a sacada decorativa e adornos executados em gesso e pintados em cor contrastante.

Já o conjunto arquitetônico da Fazenda São Marcos representa e materializa o processo de ocupação da região do Rio Branco e se insere no seu contexto de colonização. A partir da chegada dos primeiros colonizadores portugueses à região, através do Rio Branco, e para que fosse garantida a presença do homem português nas terras do Vale do Rio Branco, o comandante Manuel da Gama Lôbo d’Almada iniciou a criação de gado bovino e equino no território, em 1789. Em 1940 o SPI (Antigo Serviço de Proteção ao Índio) que já atuava naqueles arredores desde 1912, se instala na antiga sede da fazenda, promovendo obras para a construção de nova sede da fazenda erguida em 1945 da qual encontra-se edificada nos dias atuais. O SPI realizou várias ações, tais como: atendimento à saúde indígena, instalação de uma Escola Agrícola Indígena, melhorias e incremento do rebanho, entre outras. Em 1967 o SPI é extinto e, na Sede da Fazenda, é instalada a primeira sede da FUNAI no Estado de Roraima. O conjunto é de propriedade da União, administrado pela FUNAI e está inserido na Terra Indígena de São Marcos. O prédio sede da administração e o prédio da capela da fazenda são bens tombados pelo Governo do Estado de Roraima por decreto, inscrito no tombo em 1994 e ratificado pela Emenda Constitucional 021/2008. O conjunto encontra-se a mercê da ação do tempo, tendo em 1998 sua última intervenção realizada pelo governo do Estado.

O grupo Memória Arquitetura foi contratado em 2016 pela Superintendência Estadual do IPHAN em Roraima para a realização de inventário com pesquisa histórica, levantamentos arquitetônico, urbanístico, cadastral, fotográfico e iconográfico, utilizando a metodologia do Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão – SICG, de forma a oferecer subsídios técnicos para a instrução do Processo de Tombamento do Conjunto das edificações que compõem a Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller e o Conjunto Arquitetônico da Fazenda São Marcos.