Dossiê de Registro do modo de fazer o Queijo, Alagoa/MG

Dossiê de Registro do modo de fazer o Queijo, Alagoa/MG

O queijo é um alimento que parece carregar em si uma “mineiridade”. Tal peculiaridade atribui a essa iguaria um marco de identificador cultural dos indivíduos naturais de Minas Gerais e dos que se estabeleceram nesse Estado. Tanto é assim, que o primeiro registro estadual de bem de natureza imaterial, elaborado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG, foi o Modo de Fazer o Queijo Artesanal da Região do Serro, em 07 de agosto de 2002. Já em 13 de junho de 2008, foi inscrito no Livro de Registro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, o processo denominado: Modo artesanal de fazer o Queijo Minas, nas regiões do Serro e das serras da Canastra e Salitre.

Dado esse diálogo estabelecido com saberes que se entrecruzam em diferentes escalas, justifica-se o registro do preparo singular do queijo parmesão na pequena cidade de Alagoa, tendo em vista a sua importância enquanto bem imaterial do município e por tratar-se de um saber que envolve diferentes relações sociais, já que as técnicas são transferidas entre famílias, de geração em geração, e servem como regularizador da economia. Diagnosticado o potencial do registro desta manifestação cultural, Alagoa investiu para que o parmesão fosse oficialmente reconhecido como patrimônio municipal. O Dossiê de Registro foi elaborado em 2010, por profissionais das áreas de Arquitetura e História da empresa Memória Arquitetura, em contrato firmado com a Prefeitura Municipal, através do Departamento Municipal de Cultura e do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural.

O Dossiê de Registro traz um estudo sobre a história do município, as origens de seu povoamento, a introdução de queijarias no Brasil e em Minas Gerais, tendo como foco a região onde o município se localiza. Foram consultadas bibliografias gerais sobre o assunto e registros histórico-memorialísticos. O uso da metodologia de história oral mostrou-se extremamente relevante devido à escassez de fontes documentais, arquivísticas e imagéticas, tornando possível o levantamento histórico, suas rupturas, permanências e transformações no decorrer dos anos. O dossiê também aborda questões descritivas do modo de fazer o queijo parmesão, além de apresentar o inventário de bens de natureza tangíveis e intangíveis associados a ele. Foi realizado ainda um estudo sobre as áreas de ocorrência e delimitação da manifestação, a identificação de problemas e o apontamento de possíveis soluções para os mesmos, com o cuidado de salvaguardar a perenidade desse saber.

Atualmente, o poder público municipal investe em projetos de valorização do queijo produzido no município, a exemplo do Festival do Queijo, criado em 2010 por força de Lei que instituiu todo quarto sábado de maio como o Dia Municipal do Queijo e do Queijeiro de Alagoa. E ainda, visando agregar valor ao produto e adequar às normas de sanidade, considerando os fatores peculiares do município e diante da proibição de usar o nome Queijo Parmesão pela Corte Europeia, a Prefeitura de Alagoa firmou parcerias com a Embrapa Gado de Leite, EMATER, INPI e SEBRAE/MG para a Certificação do Queijo de Alagoa, com denominação de origem, passando a ficar: Queijo Alagoa.