Dossiê de Registro do modo artesanal de fazer os Doces Cristalizados e em Compota, Carmo do Rio Claro/MG

Dossiê de Registro do modo artesanal de fazer os Doces Cristalizados e em Compota, Carmo do Rio Claro/MG

Os doces de fruta de Carmo do Rio Claro se caracterizam pelo sabor, pelo aroma e pela delicadeza dos desenhos que são habilmente bordados (desenhados artesanalmente) pelas mãos de talentosas doceiras, que se preocupam em fazer um produto que agrade ao paladar e também ao olhar. Comer passa pela boca e pelos olhos, e no caso dos doces em compota e cristalizados carmelitanos, além dos saberes associados ao modo de fazer o doce propriamente, temos os saberes associados à arte do bordado, dos desenhos habilmente esculpidos nas frutas, que fazem do doce local uma iguaria, uma obra de arte, um produto artesanal requintado e saboroso. Têm como ingredientes apenas as frutas e o açúcar.

As frutas mais usadas são figo, abacaxi, mamão, laranja, goiaba e também a abóbora. O primeiro produto que resulta do processo de feitura dos doces é a compota, que se trata da imersão das frutas em uma espessa calda de açúcar, no intuito de conservá-las por um período maior do que a fruta in natura. Os doces cristalizados são feitos, a partir das compotas, o que os diferenciam é o posterior processo de secagem que a cristalização demanda. A mistura inicial de frutas e açúcar é comum aos dois tipos de doce, que ficam por cerca de três a cinco dias, num processo contínuo de fervura e descanso da fruta na calda para que o açúcar aos poucos penetre na polpa, apurando o seu sabor.

Seu modo de fazer artesanal garante um produto durável, nutritivo e sem adição de nenhum tipo de conservante. A alimentação, segundo Roberto da Matta (1986) tem além de sua função nutritiva, a propriedade de definir e marcar identidades pessoais e grupais, estilos locais, regionais e nacionais de fazer, de ser, de estar e de viver. Desse modo, os doces de frutas em Carmo do Rio Claro podem ser considerados como um “bem cultural imaterial” local já que são hábitos alimentares historicamente definidos, sendo, pois, registrados em 2015 como patrimônio cultural do município. O dossiê foi executado pelo grupo Memória Arquitetura neste mesmo ano em contrato firmado junto à prefeitura.