Dossiê de Registro da Sopa de Marmelo – Delfim Moreira / MG

Dossiê de Registro da Sopa de Marmelo – Delfim Moreira / MG

A sopa de marmelo produzida no município de Delfim Moreira/MG encontra-se diretamente associada ao cultivo de marmelo na região. Com seu clima temperado e de condições amenas, a cidade abrigou inúmeros marmelais que sustentaram a produção de famosas fábricas de doces e produtos em compotas. A dinâmica econômica provocou a abundância da fruta na localidade, o que acabou influenciando os hábitos e as práticas alimentares dos delfinenses, suscitando o surgimento de receitas diversas que traduziram o ato de comer enquanto prática cultural. A abundância da fruta foi resultado de uma intensa demanda por parte de diversas fábricas estabelecidas nas redondezas, o que resultou no expressivo número de marmelais que se fizeram presentes até o final da década de 1970. O marmelo conquistou, então, o âmbito privado: ocupou as cozinhas e ganhou receitas. Nesse contexto, a sopa se tornou popular em Delfim Moreira/MG, transformando-se numa iguaria apreciada como lanche ou merenda, deliciada principalmente nas épocas de colheita – nos meses de janeiro, fevereiro e março. No final do século XX, a decadência da economia do marmelo reduziu o número de marmelais existentes em Delfim, afetando diretamente as práticas alimentares associadas à fruta. Nos dias de hoje, a sopa é pouco consumida entre os delfinenses devido à escassez do marmelo, mas sua receita ainda é apreciada pelas antigas gerações que se mobilizam para executá-la em períodos de safra. Através desses sujeitos, o quitute permanece sendo elaborado em algumas residências, mas revela-se desconhecido entre a maioria dos jovens, os quais se apresentam pouco adaptados à ingestão do próprio marmelo. Nesse sentido, a Prefeitura de Delfim Moreira/MG, através do seu Conselho Municipal de Políticas Culturais e Patrimônio Histórico, assessorada pela empresa Memória Arquitetura, concentrou esforços no Registro do Modo de Fazer da Sopa de Marmelo, oficializado pelo Decreto Municipal nº 3429 do dia 01 de dezembro de 2010. Desde então, uma série de ações de fomento, principalmente de educação patrimonial nas escolas, vem sendo implementadas como forma de promover a continuidade do quitute enquanto patrimônio cultural citadino. Em 2016, aconteceu a segunda edição do Festival do Marmelo, outra iniciativa que vem funcionando para ampliar a discussão sobre o legado da cultura do marmelo, que deixou, para além de saberes, um inestimável patrimônio industrial das antigas fábricas, com suas enormes chaminés ainda remanescentes na paisagem urbana de Delfim Moreira/MG.